José Valdir Pereira
 
 
 
José Valdir Pereira
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jose valdir   -  11-04-2014


DIA DE PARABÉNS A VOCÊ

ANIVERSÁRIO DA RAQUEL D`ANNE MARIE
filha caçula do poeta
MOMENTO DE CANTAR O PARABÉNS A VOCÊ E DE APAGAR A VELA
 


VIRIATO MOURA   -  04-04-2014


SÃO PEDRO NO MUNDO DO FAZ DE CONTA

Sou filho de família católica, devota de São José. Mas foi sobre São Pedro que ouvi mais relatos lúdicos na minha infância. Diziam que quando a pessoa morria, ao pretender entrar no paraíso, antes precisava passar por seu crivo. Após devida identificação, o guardião da casa de Deus abria um livro onde estava escrito tudo sobre a vida do candidato: tudo que ele havia feito de bem e de mal durante sua existência terrena estava lá. Caso houvesse se comportado segundo os dez mandamentos, estava salvo e sua entrada no ambiente celestial seria permitida com louvor. Se não, poderia ter um destes dois destinos: um transitório, o purgatório; outro, definitivo, o inferno.

Nossa mente infante, onde a fantasia assume os contornos da realidade, suscitava temores quando cometíamos algum pecado, como, por exemplo: desobedecer os pais, mentir para eles, não ir à missa aos domingos, e assim por diante. Quando assim agíamos, já imaginávamos as anotações que São Pedro estava fazendo no livro da nossa vida e que, se não nos confessássemos a tempo, seríamos queimados por toda a eternidade da casa do diabo. Na melhor das hipóteses, seríamos mandados para uma temporada nada agradável no purgatório, para que tivéssemos condições de limpar nossas fichas e nos habilitar a entrar na casa do Senhor.

Na condição de síndico do condomínio celestial, São Pedro tinha muitos outros afazeres além daquele em que mais se destacava, o de porteiro. Por isso, vez por outra fazia uma boa lavagem nos cômodos do céu, cujo piso são as a nuvens. Nessas ocasiões, mandava água, sob forma de chuva, aqui pra Terra. Durante essa apurada limpeza, precisava arrastar as mobílias do local, que produziam ruídos que eram ouvidos por nós: os trovões. Quando nos assustávamos ao escutá-los, nossos pais diziam que ficássemos tranquilos, dando-nos essa fantasiosa e calmante explicação.

Depois, mais crescidinhos, quando recebíamos lições de catecismo, éramos informados que a história verdadeira não era bem essa. Aí contavam outra: que Pedro fora um dos doze apóstolos de Jesus de maior prestígio. Aliás, sempre fora o preferido do Mestre, que certa vez dissera aos demais que Pedro era a pedra sobre a qual construiria sua Igreja. Ou seja, para o Jesus, Pedro era o cara. Não ficamos sabendo, todavia, se essa declaração gerou inveja nos outros discípulo, o que seria um pecado.

Nesse momento em que hoje vivenciamos em nosso estado uma grande enchente, imagino como nós, se ainda fossemos crianças, com aquelas concepções que tínhamos sobre o santo síndico, o que pensaríamos dessa situação. Talvez: que diabo está acontecendo no céu que São Pedro não para de lavá-lo? Poderíamos até concluir que ele havia se enganado, permitindo a entrada indevida de impuros no paraíso e, por causa disso, resolvera mandá-los para o inferno. E agora estava fazendo uma faxina geral e prolongada no local para que nenhum resquício dessas almas de ficha suja continuassem a contaminar a casa do Pai.

Outra conclusão que ainda poderíamos tirar é que São Pedro, por ordem do Chefe, pretendeu, no primeiro momento, provocar um dilúvio em Rondônia dado aos fatos desairosos que andam acontecendo por aqui. Mas logo, pleno de santa sabedoria, decidiu que não seria justo penalizar de modo tão impiedoso e definitivo um povo que não tem tantos pecados assim para merecer o extermínio — fora, é claro, o de não saber escolher bem seus representantes. Sobre esse vacilo, este ano ainda teremos mais uma chance para nos redimir: as eleições.

Não devemos, entretanto, esquecer que, se insistirmos nesse erro, o dilúvio poderá vir na próxima vez.

Incorporados nessa visão do faz de conta de nosso tempo de infância, resta-nos rogar que o síndico do lar celestial dê por encerrada sua limpeza e pare de mandar tanta água pra cá.
Para Pedro, Pedro Para! Amém.
 


Priscila Boeira   -  31-03-2014


Sobre a morte e os papa-defuntos

"Está morto: podemos elogiá-lo à vontade" ( Machado de Assis)

  Quando era criança, não entendia porque as pessoas, hora eram boas, hora eram más. As fofocas sobre os vizinhos eram (e continuam) sendo uma fonte de entretenimento coletivo, na comunidade onde cresci.

"O Aldrovando trocou de carro. Dizem que recebeu aumento, mas duvido muito. Deve ser fruto do tráfico de drogas".

"A Raquel pegou o marido de sem-vergonhice com a filha do Paulão. Ela nunca me enganou! Sempre vi que não valia o que comia".

"A filha da Clotilde é machorra e ainda por cima cheira maconha com as amiguinhas".

"O Luiz Augusto gasta toda a aposentadoria do Bar do Tigrão e no Cisne Branco. Que homem asqueroso! Dizem que tem AIDS".

Ao meio dia, na rádio local, a nota de falecimento informa a população ávida por desgraça: "Comunicamos com pesar o falecimento de Luiz Augusto da Silva, aos 65 anos. O corpo de Luiz Augusto está sendo velado na Capela Mortuária...".

Pronto. Os papa-defuntos têm assunto pra manga por uma semana. Ou até que morra outro conhecido.

Quando era menina, acompanhava meus pais aos velórios. Nunca tive medo, tinha, sim, muita curiosidade. Gostava de sentar num banco e observar as pessoas. O entra e sai de vizinhos, que paravam em frente ao defunto, faziam o sinal da cruz, distribuíam pesares e escolhiam um banco, geralmente próximo a um conhecido. A partir de então, os sussurros ecoavam pela igreja.

Constatei que a maioria dos frequentadores de velórios participa desse ritual para saber a ficha completa do falecido. Alguns aproveitam para trocar figurinhas sobre assuntos mais interessantes. Já presenciei vizinhas trocando segredinhos de culinária e homens contando piadas. Tudo em voz baixa, sussurrando. De vez em quando, a conversa esfriava e então lembravam porque estavam alí.Curiosamente, o discurso sobre o falecido mudava. Isso me levou a crer que a morte santificava algumas pessoas.

"Podia ser chegado numa cachaça, mas era gente boa. Isso eu posso te afirmar, porque trabalhei 5 anos com ele na Tramontina. Que pessoa querida..."

"Apesar da fama de maloqueiro, eu garanto: ele nunca deixou faltar nada em casa. Estava pagando a prestação da TV e da geladeira. Coitado".

"Ele sabia que iria morrer. Quando saiu para ir ao Bar do Tigrão, olhou nos meus olhos e disse: "Polaca, eu te amo, muié. A gente briga, se estapeia, mas a gente se gosta". O que vai ser da minha vida sem esse homem?"

A morte ainda é um tabu.

Para algumas pessoas, falar mal dos mortos é pecado. É mexer com assombração. Vai que o espírito do cristão está por perto, ouvindo tudo?!

Para outras, morrer significa ir ao encontro da incerteza. Se formos bons e comportados, vamos para o céu. Se comportamo-nos mal, vamos para o inferno. Como saber se somos merecedores do paraíso? Boa pergunta. Pensando bem, melhor não falar mal do presunto. Pode ser que prejudique a somatória de pontos, no dia do juízo final.
 


VIRIATO MOURA   -  30-03-2014




CUIDADO:
A ÁGUA PODE TRANSMITIR MUITAS DOENÇAS

Nesse momento dramático vivenciado por parte da nossa população, em decorrência da enchente do Madeira, precisamos ter muito cuidado com a água das inundações. Além dos danos causados pela invasão dos ambientes, podem provocar doenças; algumas delas graves.

A água, essencial para a vida, torna-se um perigo para a saúde quando está contaminada. Essa contaminação pode ser por agentes biológicos causadores de doenças, mas também por substâncias nocivas à saúde.

A água doce, como a dos rios, é a que permite a maior proliferação de agentes causais de doenças. Dos fatores contaminantes, destacam-se as fezes humanas e de animais. Para se avaliar o quanto essas fezes são perigosas, basta que quantidades mínimas desse material, como apenas 1 grama, para conter 10 milhões de vírus, 1 milhão de bactérias ou até 1000 parasitas.

Além das infecções decorrentes do contato direto com a água contaminada, há outras relacionadas a esse líquido como as transmitidas por mosquitos (vetores biológicos) que se reproduzem em água doce parada; como exemplo, a dengue e a febre amarela.

Eis algumas doenças transmitidas pela água contaminada que nos ameaçam no momento : Hepatite A — É uma infecção causada por vírus, transmitida por via fecal-oral. Caracteriza-se por febre, diarreia, perda de apetite, náuseas, vômitos, dor muscular, dor de cabeça, fraqueza. A icterícia (coloração amarelada da pele, mucosas e escleróticas), um sinal importante da hepatite A aguda, aparece após uma semana de evolução da doença.

Cólera — Infecção cujo agente etiológico é uma bactéria denominada de Vibrio cholerae, que se caracteriza por um grave quadro de diarreia aquosa que leva à rápida desidratação se não for tratada imediatamente. A via de contagio também é a fecal-oral.

Diarreias infecciosas — Além das doenças já citadas, que apresentam em seus quadros clínicos diarreia, há outras diarreias infecciosas que podem ser causadas por bactérias, vírus e parasitas presentes na água. A via de contágio é fecal-oral. Leptospirose — Os ratos de esgoto são a principal fonte de transmissão da leptospirose. A contaminação pode decorrer de consumo de líquidos e alimentos contaminados, mas a principal via é o contato direto da pele com a água contaminada pela urina desses roedores. O risco de transmissão dessa doença é grande durante as enchentes. Febre alta com calafrios, dor de cabeça e dor muscular, principalmente nas panturrilhas, entre outros, são sintomas frequentes. A leptospirose produz um tipo de icterícia do tipo íctero-hemorrágico (pele e mucosas ficam alaranjadas). Nesses casos em que a icterícia vem acompanhada de hemorragia e insuficiência renal, há risco de morte.

Otite externa — A exposição do ouvido à água contaminada pode provocar inflamação na região mais externa do ouvido. A otite pode ser causada por bactérias e fungos que podem estar presentes na águas com elevado grau de contaminação.

Essas são, portanto, as doenças que nos ameaçam nesse momento de enchente, e até mesmo depois, no período de vazante. Algumas delas são graves e podem até matar. A disseminação de algumas dessas enfermidades traria grande risco para a população. É possível que o número de leitos disponíveis nos hospitais públicos e privados em nosso meio não seja suficiente para atender uma situação de epidemia.

É preciso que haja consciência acompanhada de ações preventivas por parte de todos. Ou seja, evitar ao máximo o contato com essas águas. Cuidado, portanto.
 


Adaides Batista - Dadá   -  28-03-2014
Lembrando

Eu sempre fui abençoado por Deus. Lembro que quando com 15 anos trabalhando no primeiro supermercado de Porto Velho, do Tufic Matny , enquanto eu arrumava e repunha os objetos nas prateleiras, ou, lavando batata, catando cebolas, cortando queijo parmesão...ficando sempre um som que vinha de uma loja de discos que estava ali do lado. Um disco me marcou profundamente enquanto lavava batatas...começa com toques de sino, depois: “Eu quero o amor da flor de cacto, ela não quis...”...era o primeiro disco do Secos & Molhados. Nunca esqueci isso na minha vida. Até hoje ouço esse disco (CD) com a mesma emoção...tem uma música que não foi tocada no rádio e até mesmo pouco escutada entre as amigos, e é uma das minha preferidas – Primavera nos Dentes - posto a letra pra dividir com os amigos:

Primavera Nos Dentes

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera
 


jose valdir   -  26-03-2014


Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia jardineira de um coração. Sachei, mondei - nada colhi. Nasceram espinhos e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia jardineira de um coração. Cavei, plantei. Na terra ingrata nada criei.

Semeador da Parábola... Lancei a boa semente a gestos largos... Aves do céu levaram. Espinhos do chão cobriram. O resto se perdeu na terra dura da ingratidão

Coração é terra que ninguém vê - diz o ditado. Plantei, reguei, nada deu, não. Terra de lagedo, de pedregulho, - teu coração. Bati na porta de um coração. Bati. Bati. Nada escutei. Casa vazia. Porta fechada, foi que encontrei...
Cora Coralina
 


jose valdir   -  19-03-2014


19 de Março - Dia de São José

Os fiéis da Igreja Católica realizam diversas homenagens ao santo padroeiro do Ceará.
 


jose valdir   -  17-03-2014


A cidade, que era nossa, nem nossa era...era do rio;
O rio, que era nosso, nem nosso era...era da cidade;
Agora, nem a cidade, nem o rio...
Eram, éramos!(jose valdir pereira)

Sobre o Rio Madeira
O rio Madeira é o 17º rio em volume d´água do mundo. O rio Madeira é o quarto maior rio do mundo em vazão (Latrubesse et al. 2005) e membro do grupo hidro-geomorfológico dos nove mega-rios “anabranching” do mundo (Latrubesse 2008), com um curso de mais de 3.000 km.

MEU RIO MADEIRA, AMANHÃ OUTRA VEZ!

Em tuas águas eu, menino,
muitas travessuras de moleque...
De longe, te venero,
nessas tardes de esplendor,
enquanto o sol se curva ante tua impoluta e dócil magnanimidade,
derramando sobre ti pétalas em forma de raios dourados, eu te venero.

E esses teus filhos! Esses botos.
E quantos! E pulam, pulam. Outro pulo!
Todos pulam, faceiros, pulam,
se acariciando no teu dorso leito deternura...

Meu rio Madeira,
Quem bebe de tuas águas e quem te toca,
ainda que vá embora, volta, amanhã, outra vez.
(jose valdir pereira)

Do livro "Rondônia: de Pedaço em Pedaço, uma História!", por josé valdir pereira, Editora RDS, Fortaleza-CE - 2006, lançado na Casa de Cultura Ivan Marrocos, em Porto Velho, em 2006.

Foto: Pátio da ferrovia Madeira-Mamoré Nunca mais será o mesmo.

Um triste adeus ao nosso maior tesouro cultural!
Uma memória histórica que precisava ser preservada.
Meus Deus! E agora, Rondônia!
Choramos todos nós...Chora a humanidade!
 


jose valdir   -  02-03-2014


"O beija-flor, voltou-se para a flor e disse: tenho preferido a ti faz muito tempo, mas está ficando cada vez mais difícil vir aqui...é tão longe de onde estou; então a flor disse: meu amado, quanto à distância, no amor não há longe...Já não me amas?"
(josé valdir pereira)
 


jose valdir   -  11-02-2014


"O homem é tão inseguro e vulnerável que duvida dele próprio!"(josé valdir pereira)


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